quinta-feira, 11 de agosto de 2011


Homens brancos são maioria dos transplantados. Negros estão em desvantagem, segundo Ipea


Brasília – Estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que os efeitos das desigualdades sociais brasileiras se estendem às cirurgias de transplantes de órgãos como coração, fígado, rim, pâncreas e pulmão. A maioria dos transplantados são homens da cor branca.
De acordo com o estudo, de quatro receptores de coração, três são homens; e 56% dos transplantados tem a cor de pele branca. No transplante de fígado; 63% dos receptores são homens e 37% mulheres. De cada dez transplantes de fígado, oito são para pessoas brancas.
Segundo a análise do Ipea, homens e mulheres são igualmente atendidos nos transplantes de pâncreas; mas 93% dos atendidos são brancos. A maioria absoluta de receptores de pulmão também são homens (65%) e pessoas brancas (77%). O mesmo fenômeno ocorre com o transplante de rim: 61% dos receptores são homens; 69% das pessoas atendidas têm pele clara.
“Verificamos que o conjunto de desigualdades brasileiras acaba chegando no último estágio de medicina”, aponta o economista Alexandre Marinho, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, um dos autores da pesquisa. Ele e outras duas pesquisadoras analisaram dados de 1995 a 2004, fornecidos pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).
O economista não estudou as causas do fenômeno, mas disse à Agência Brasil que a preparação para o transplante pode explicar as razões da desigualdade. Para fazer a cirurgia de transplante, o receptor deve estar apto: eventualmente mudar a alimentação, tomar medicamentos e fazer exames clínicos – procedimentos de atenção básica.
Segundo Marinho, quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) - cerca de três quatros da população brasileira - sai em desvantagem, porque tem dificuldade para receber remédios, fazer consultas e exames clínicos. “A situação onera quem tem menos condições de buscar alternativas.”
“O sistema é desigual na ponta [cirurgia de alta complexidade] porque é desigual na entrada”, assinala o economista, ao dizer que quando o SUS tem excelência no atendimento o acesso não é para todos: “Na hora que funciona, quem se apropria são as pessoas mais bem posicionadas socialmente”.
Conforme Marinho, os planos de saúde são resistentes a autorizar procedimentos de alta complexidade, como as cirurgias de transplantes, por causa dos custos. “Os hospitais privados preferem atender por meio do SUS porque sabe que paga”.
O estudo sobre a desigualdade de transplantes de órgãos está disponível no site do Ipea. Segundo Marinho, o documento foi postado ontem (7) e ainda não é do conhecimento do Ministério da Saúde.
De acordo com os dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), há 1.376 equipes médicas autorizadas a realizar transplantes em 25 estados brasileiros (548 hospitais).
Fonte:Agência Brasil (Gilberto Costa)

Estudantes pretos são menos de 10% nas universidades federais

Amanda Cieglinski
Brasília – Apesar das políticas afirmativas direcionadas para a população negra, esse público ainda é minoria nas universidades federais. Estudo que foi lançado dia 3 pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) sobre o perfil dos estudantes de graduação mostra que 8,72% deles são pretos e 32%, pardos. Os brancos são 53,9% e os indígenas menos de 1%.Repórter da Agência Brasil
O estudo aponta um crescimento da participação dos negros em relação à pesquisa anterior produzida pela Andifes em 2003, quando menos de 6% dos alunos se declaravam pretos e 28,3%, pardos.
Para o presidente da associação, João Luiz Martins, a evolução do número de pretos é “tímida”. Ele defende a necessidade de políticas afirmativas mais agressivas para garantir a inclusão. “A universidade tem uma dívida enorme em relação a isso. Há necessidade de ampliar essas ações [de inclusão] porque o atendimento ainda é muito baixo”, avalia.
A entidade é contra uma legislação ou regra nacional que determine uma política comum para todas as instituições, como o projeto de lei que tramita no Senado e determina reserva de 50% das vagas para egressos de escolas públicas. “Cada um de nós tem uma política afirmativa mais adequada à nossa realidade. No Norte, por exemplo, a universidade precisa de uma política que tenha atenção aos indígenas. No Sul, o perfil já é outro e na Bahia, outro”, explica Martins.
O estudo mostra que os alunos egressos de escolas públicas são 44,8% dos estudantes das universidades federais. Mais de 40% cursaram todo o ensino médio em escola privada. O reitor da Universidade Federal do Pará (Ufpa), Carlos Maneschy, explica que na instituição metade das vagas do vestibular é reservada para egressos da rede pública. Desse total, 40% são para estudantes negros. Ele acredita que nos próximos anos a universidade terá 20% de alunos da raça negra. “Antes, nem 5% eram de escola pública”, diz.
Fonte:Agência Brasil

Miséria condena mais de 5 milhões de crianças negras no Brasil

Por Daiane Souza
A chamada “primeira infância” pelos especialistas é um período fundamental para o aprendizado, porém, no Brasil, está sendo comprometida pela miséria. De acordo com dados divulgados pelo Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (Ciespi), 10 milhões de crianças até seis anos encontram-se em condição social abaixo da linha de pobreza. Pelo menos metade desses meninos e meninas é negra.
Os pequenos brasileiros de raças preta e parda correspondem a 60% do total das crianças na faixa etária pesquisada e pertencem a famílias com renda per capita inferior a R$ 6,80 por dia, conforme valores de 2009. Por essas condições, essas crianças podem ter comprometidos seu desenvolvimento físico e até psiquiátrico. As informações foram enviadas pelo Ciespi ao Governo Federal para servir de base ao Plano Nacional pela Primeira Infância, instrumento que estabelece as medidas a serem adotadas até o ano 2023, visando o desenvolvimento adequado de crianças de 0 a 6 anos.
VULNERABILIDADE – De acordo com Irene Rizzini, diretora do Ciespi, os seis primeiros anos de vida são muito delicados. “As crianças são mais frágeis e precisam de uma proteção especial da família. As experiências dessa fase da vida influenciam, para sempre, a pessoa e sua relação com quem a rodeia”, explica. Irene reforça que esse período demanda segurança, acolhimento e estímulo às potencialidades.
O estudo destaca ainda que 46% da população infantil urbana vivem em lugares sem saneamento básico e que, 95% da rural, moram em casas onde o abastecimento de água e a coleta de esgoto não existem ou são precários. Por isso, Irene defende que pais e gestores públicos se comprometam a proporcionar ambientes que estimulem a primeira infância. “O caminho para eliminar a desigualdade no país depende de como vivem nossas crianças”, resume.
Fonte:Palmares

domingo, 10 de julho de 2011


Palmares recebe embaixadores de nações africanas

Foto:Joceline Gomes/FCP
Embaixadores e representantes de nações africanas se reuniram na sede da Palmares em Brasília

Por Joceline Gomes

Embaixadas de países africanos poderão participar das comemorações do 23° aniversário da Fundação Cultural Palmares no mês de agosto. Para discutir esta possibilidade, o presidente Eloi Ferreira de Araujo se reuniu na manhã desta sexta-feira, 8 de julho, com embaixadores e representantes de 18 países. A proposta é que as nações africanas sejam representadas no aniversário da instituição, no Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes.

No encontro, Ferreira apresentou a programação prévia das festividades que inclui exposição de artesanatos, literaturas e fotografias do continente africano no Foyer do Teatro Nacional, em Brasília. A comitiva das nações africanas demonstrou grande interesse em participar das atividades. “Uma Fundação como a Palmares deve ser nossa parceira. Queremos muito participar também de projetos futuros”, afirmou o embaixador do Zimbábue, Sr. Thomas Byuma.

EMBAIXADORES – Byuma que também é decano do Grupo dos Embaixadores e Chefes das Missões Diplomáticas Africanas em Brasília, afirmou que a Fundação faz um bom trabalho na preservação da cultura afro-brasileira e que deseja, em nome do grupo, colaborar com os projetos que promovam a cultura dos povos africanos e afrodescendentes.

Para o Sr. Abd Elghani Elnaim Awad Elkarim, da Embaixada do Sudão, o tempo é curto, porém ele se comprometeu em providenciar materiais suficientes para que a exposição seja bem sucedida. Entusiasmado, sugeriu que o projeto cresça, e tenha uma semana cultural no ano que vem. A proposta é que as embaixadas tragam artistas de seus países, com manifestações culturais diversas. “Você tem que ser o que é para lutar contra a discriminação. É uma grande luta”, disse.

De acordo com Francis Moto, da Embaixada do Malaui, manifestações racistas como as que ocorreram com o jogador Roberto Carlos, para quem torcedores atiraram uma banana, só poderão deixar de acontecer com uma profunda mudança na educação.

“A educação no mundo não ensina o fim do racismo. A não ser que mude essa postura, manifestações assim continuarão a acontecer.”

Participaram da reunião:

Conselheira Botsuana Tebatso Future Baleseng
Conselheira Namíbia Mary Maria Kaalunga
Representante Gana
Embaixador Tanzânia Francis Malambugi
Embaixador Etiópia no Brasil
Embaixador Camarões Martin A. Mbeng
Embaixador Marrocos Mohamed Louafa
Embaixador Senegal El Hadj Abdoul Aziz Ndiaye
Embaixador Benin Isidore Benjamin Monsi
Embaixador Zimbábue e Decano do Grupo dos Embaixadores e Chefes das Missões Diplomáticas Africanas em Brasília – Thomas Sukutai Byuma
Embaixador Sudão Abd Elghani Elnaim Awad Elkarim
Presidente da Fundação Cultural Palmares Eloi Ferreira de Araujo
Embaixador Moçambique Murade Isaac Miguigy Murargy
Embaixador Angola Leovigildo da Costa e Silva
Embaixador Quênia Kirimi P. Kaberia
Representante Argélia
Embaixador Malaui Francis Moto
Conselheiro Malaui
Representante Costa do Marfim
Criação: Daniel Cabral

Encontro discute combate à intolerância religiosa

Por Maíra Valério

Na última terça-feira (5), a Associação de Mulheres Negras e Afrodescendentes da Rasa (Somunear) promoveu o I Encontro de Liberdade de Pensamento e Combate à Intolerância Religiosa, em Armação dos Búzios (RJ). A entidade visa combater a exclusão racial e social do município, que possui aproximadamente 27 mil habitantes e é conhecido por suas praias e atrações turísticas.

O representante da Fundação Cultural Palmares no Rio de Janeiro, Rodrigo Nascimento, compareceu ao encontro, e conta que a principal meta dos debates foi propor soluções para as violências relatadas, pois muitos praticantes de religiões de matrizes africanas alegam sofrer agressões e perseguições. “O Poder Público vai garantir o direito de livre expressão religiosa a todos”, afirma.

O evento, aberto à comunidade, visa contribuir para a consolidação das políticas de igualdade social, racial, religiosa, e as que tenham cunho humanitário. Participaram do Encontro gestores públicos da capital carioca e da Região dos Lagos – área que abrange além de Búzios, municípios como Cabo Frio, Arraial do Cabo, Saquarema e outros.

Fonte: palmares

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Universo Negro Brasileiro em Barcelona


Por Joanna Alves
Com o intuito de promover a reflexão sobre a presença da cultura africana no Brasil, a cidade de Barcelona, na Espanha, receberá, pelo quarto ano, o Ciclo de Conferências e oficinas abertas sobre O Universo Negro Brasileiro.
Entre os dias 06 e 10 de julho, a cidade espanhola acolherá intelectuais, mestres de capoeira, dançarinos e músicos, a fim de expandir os ideais do multiculturalismo, construídos através da diversidade herdada dos ancestrais africanos.
O evento será realizado pela Asociación Cultural de Capoeira Angola Vadiação, que pretende massificar as relações interculturais a partir da percepção da história de cada expressão artística e cultural, fazendo com que as barreiras do preconceito social, racial ou econômico sejam rompidas.
Na programação, o grande encontro cultural afro-brasileiro contará com a participação de representantes da cultura afro em universidades brasileiras, além de videoconferência com o quilombo de Conceição das Crioulas, em Pernambuco, certificada pela Fundação Cultural Palmares.
As oficinas sobre capoeira, maculelê, percussão, dança e culinária afro-brasileiras darão ao público a possibilidade de adentrar neste universo de Sinergias e Convergências das Culturas Negras no Brasil.
Fonte:palmares

sábado, 11 de junho de 2011



Educação


Na África subsaariana há mais crianças escolarizadas do que nunca


El Corresponsal


Os países da região aumentaram mais de 6% os gastos anuais com educação ao longo da última década, segundo um novo informe publicado pela UNESCO. O aumento do investimento na educação tem sido acompanhada por alguns resultados espetaculares. Entre 2000 e 2008, o número de crianças matriculadas no ensino primário aumentou 48%. Nesse mesmo período, o número de alunos matriculados na pré-escola, ensino médio e superior também aumentou em mais de 60%.

O maior investimento na educação possibilitou também a abolição do pagamento de matrícula nas escolas primárias, o que também ajudou a ampliar o acesso à educação. Em média, o investimento em educação representa mais de 18% do total do gasto público nos países da África sub-saariana, enquanto em outras regiões do mundo esse percentual é de 15%.

Apesar deste investimento, muitos destes países ainda estão longe de poder proporcionar a cada criança uma educação primária de boa qualidade. Dados recentes mostram que em um terço dos países da região a metade das crianças não termina seus estudos primários.Devido à recente crise económica, a maioria dos governos da África sub-saariana terão que tomar decisões importantes sobre como satisfazer as necessidades de uma população escolar cada vez maior.

A maioria dos países da região dedica a cada aluno do ensino superior um valor dez vezes maior, pelo menos, ao que investem por aluno do fundamental. E os estudantes universitários normalmente vêm de famílias com suficientes recursos económicos.

Os governos deveriam investir mais nos níveis inferiores do sistema educativo no caso daqueles que ainda estão longe de alcançar a meta da universalização da educação primária.


Fonte: Casa das Áfricas